Esquadrão da Vida!

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No ano de 2009 o Esquadrão da Vida completou 30 anos de idade. Apenas 3 a menos que eu. Lembro-me das minhas participações, desde pequenininha, nos espetáculos e ensaios do grupo. Lembro do meu pai, (o fundador do grupo, Ary Pára-Raios) e meus irmãos vestidos de palhaço quando não havia mais ninguém no elenco. E lembro, principalmente, do dia em que descobri que era atriz. Foi no começo dos ensaios de Na Rua Com Romeu & Julieta, o grupo se reorganizava e eu estava lá, com 16 anos, e com toda a minha vontade juvenil presente. Juntos comigo outros companheiros, alguns mais velhos e outros tão jovens quanto eu. Ensaiávamos e, de repente, ao falar um texto da peça, percebi ali que meu destino estava marcado como atriz. Meu pai também percebeu. Foi emocionante, mas eu estava excitada demais para perceber isso no momento.

Muita coisa aconteceu desde então. O Na Rua Com Romeu & Julieta estreou em 1993, ficou cinco anos em cartaz e, seguindo suas pegadas, O Bicho Homem e Outros Bichos, que por nove anos encantou plateias das ruas do nosso brasis. Os dois espetáculos foram muito importantes para a história do grupo, que pôde amadurecer cada vez mais sua linguagem, desenvolvendo um trabalho de teatro acrobático na rua com dramaturgia e estética próprias. O envolvimento com as tradições populares brasileiras e a luta por um meio ambiente equilibrado, com o uso racional da natureza, fixaram-se como bandeiras importantes da trupe.

Hoje, passados 18 anos daquele momento em que descobri minha vocação, e após a morte de meu pai e mestre em 2003, sinto a mesma emoção e a mesma excitação de outrora. Voltar às ruas de Brasília, no ano de comemoração dos seus 50 anos, sem a presença física e marcante do palhaço Ary Pára-Raios, já é, por si só, um marco na história do Esquadrão da Vida. Voltar às ruas com uma adaptação livre que meu pai fez para o texto O Filhote do Filhote de Elefante, de Bertold Brecht, então… é uma alegria e uma felicidade que só quem for assistir poderá compartilhar com o grupo, que acredita que não há nada melhor que a Arte para transformar o mundo. E é com o mesmo entusiasmo juvenil e emoção de 30 anos atrás que o Esquadrão da Vida entra em cena novamente, mais vivo que nunca!
Maíra Oliveira.
Brasília, abril de 2010.

Maíra Oliveira é diretora e atriz da Companhia de Teatro Esquadrão da Vida e minha grande amiga, parceira, irmã.
O Esquadrão da Vida estará nas quadras do plano piloto com o espetáculo O FILHOTE DO FILHOTE DE ELEFANTE, uma adaptação livre de Ary Pára-Raios e do Esquadrão da Vida para o texto O Filhote de Elefante, de Bertold Brecht.
Adriana Bruno

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Uma ideia sobre “Esquadrão da Vida!

  1. Então, depois deste texto testemunho, só me resta desejar
    ( neste ” feriadão ” dia do trabalho ) ; feliz vida longa ao
    grupo e aos integrantes deste, cujo ofício de labuta de ator
    é transformador. Primeiro, transforma individualmente cada
    eu. Depois, transforma o próximo. Pois , a cada espetáculo toca
    vários e vários na platéia. Assim é a vida, seguindo um dos seus
    mistérios multiplicadores.

    Ops,ops !! Vida longa a também labutadora Adriana, que por meio de Maria Berenice pode comemorar o Dia Do Trabalho.

    Muitão energia a todos.

    Cacá.

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